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REVIEW: MULHER MARAVILHA 1984

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Pôster do Filme



REVIEW: MULHER MARAVILHA 1984 

Estamos vivendo uma revolução na forma de ver filmes, os serviços de streaming estão cada vez mais conquistando o seu espaço no dia-a-dia dos espectadores e a grande aposta do HBOMAX foi justamente a estreia de um dos maiores filmes do ano no serviço de streaming e nos cinemas ao mesmo tempo. Se isso vai ser o novo normal ou se vai trazer lucros só o tempo dirá, o fato é que Mulher Maravilha 1984 está entre nós.

Atenção, essa review pode conter leves spoilers.

Um artefato muito antigo criado por um Deus concede aquele que o possui o seu maior desejo, infelizmente vai parar em mãos erradas e a Mulher Maravilha precisa enfrentar o vilão e impedir o fim do mundo. Patty Jankins retorna na direção da sequência, dessa vez muito mais a vontade. Devido ao grande sucesso do primeiro filme, o estúdio deu carta branca pra ela criar a sua versão e isso é refletido nas poucas cenas de ação, nos diálogos profundos e na mensagem que ela quer passar. Uma coisa que me chamou atenção é como o filme parece um quadrinho, desde como a personagem é retratada até como o clímax é executado, acreditar no bem que existe dentro de cada um de nós e que quando chegar a hora vamos fazer o que é certo, é uma ideia utópica e representa o que a Mulher Maravilha acredita.

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Gal Gadot

O filme é lindo e extremamente colorido, mas os efeitos visuais deixam a desejar em alguns momentos, o que acaba afetando sua experiência. As cenas de luta são fracas, principalmente nas coreografias, nos efeitos práticos com cabos e até o rosto de dublês aparecendo, não tem uma emoção que cresce que te empolga (como em Missão Impossível: Efeito Fallout), todas as cenas boas estão nos trailers. Senti falta de mais combate, e para um filme de super herói com poucas cenas de ação, essas teriam que ser impecáveis. Além disso, a parte lúdica, como por exemplo, a nossa heroína simplesmente aparecer com seu uniforme sem explicações, causa estranhamento já que isso nunca foi estabelecido em nenhum filme. A música ficou por conta de Hans Zimmer e acompanha todos os momentos dramáticos e traz uma seriedade ao filme.

A cena de abertura em Themyscira é majestosa e apresenta o tema que o filme vai abordar, serve pra estabelecer que Diana preza pela verdade e que a trapaça não leva a lugar algum, mesmo que ela perca algo precioso. E onde está minha série com as Amazonas? Elas roubam as cenas em todos os filmes que aparecem.

Gal Gadot nasceu pra ser a Wonder Woman, assim como o Robert Downey Jr. é o Homem de Ferro. O jeito que ela anda é lindo, traços da vida de modelo da atriz, a beleza hipnótica, o carisma, a gentileza, a Gal entrega tudo nas partes dramáticas, fato que foi criticado no primeiro longa. As interações com o Steve (Chris Pine) são as melhores, é divertido e extremamente emocionante acompanhar o encontro dos dois. Ele é levado ao futuro trazendo aquela inocência e curiosidade sobre os avanços tecnológicos, eu só queria ser amigo dele. A questão de como ele volta ainda não ficou 100% clara pra mim, é uma complicação que não precisava existir, mas é tão bom ver um personagem masculino que é equiparado ao feminino, não em poder, mas em parceria, é disso que eu gostaria de ver em produções futuras: pra uma mulher ser forte os homens não precisam ser babacas (viu As Panteras) e para um homem ter bom caráter, ele não precisa ser o escolhido.

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Gal Gadot e Chris Pine

O vilão Maxwell (Pedro Pascal) é uma das partes confusas no filme, o seu poder é um dos plots que move a trama e não ter algo claro dificultou o entendimento. Pascal está muito bem, toda a angústia, o desespero, o anseio que o personagem tem por poder ficar muito evidente. As cenas com o filho foram emotivas, mas como não tivemos tempo de desenvolver, a gente nunca chega a se conectar de fato com eles. O histórico de abuso familiar e o desejo dele de ser um pai bom são jogados no final do filme.

A Mulher-Leopardo (Kristen Wiig) é a parte mais fraca do filme. No inicio é meio desengonçada e meio piadista (sendo que no final das contas não tem graça), ela é aquele típico clichê da mulher tímida incompreendida que depois fica badass, e no fim a atriz é substituída por um boneco de CGI que parece uma coisa completamente diferente da Kristen, sem explicação alguma do porque um leopardo. Ela é uma promessa não cumprida, tudo que a gente sabe foi o que ela disse e ao mesmo tempo não sabemos quase nada. É uma pena uma personagem tão clássica da mulher maravilha ser "gasta" assim. A impressão que eu tenho é que eles precisavam da protagonista brigando com alguém no fim e ai escolheram ela.

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Gal Gadot e Kristen Wiig

O grande final é um misto de bom e ruim, a grande armadura da Diana, que representa uma guerreira que morreu para salvar seu povo vira um escudo que quebra, mas ao mesmo tempo ela vencer o vilão pela inteligência e o discurso, acreditando que o ser humano é bom.

 A impressão que fica é de um filme que poderia ter sido ótimo, mas se perde na forma como ele apresenta as coisas. A Mulher Leopardo poderia facilmente ser tirada da trama e com uns pequenos ajustes nada mudaria. Pascal teria tempo de desenvolver suas ideias, o porquê de sua sede pelo poder é tão importante, a Diana e o Steve poderiam ter mais momentos lindos juntos (o que foi aquela cena do avião passando pelos fogos de artifício, e aquele adeus, só de lembrar me da vontade de chorar) e o filme poderia ter uma cenas de ação bem mais trabalhadas e quem sabe ser mais curto. De qualquer modo, estou ansioso pela próxima aventura da Mulher Maravilha.

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