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Destaques

REVIEW THE MIDNIGHT GOSPEL - 1ª Temporada

Autor: Daniel Moreira
REVIEW THE MIDNIGHT GOSPEL - 1ª Temporada
Antes tarde do que nunca! Mais de 4 mês após o lançamento de The Midnight Gospel na Netflix eu finalmente fui assistir a essa viagem filosófica.  Talvez a minha nova smart TV gigantesta tenha contribuído para eu começar a apreciar os visuais psicodélicos e surreais do podcast, digo, do seriado.
Acompanhamos a história de Clancy, um podcaster que viaja através de um simulador de universos procurando boas histórias, cada episódio o nosso protagonista visita um mundo diferente e grava entrevistas para transmitir para quem quiser ouvir. Criada por Pendleton Ward de Hora de Aventura e Duncan Trussell, comediante e host do podcast  Duncan Trussell Family Hour, que serviu de inspiração e fonte direta para todos episódios.
O tema principal da série é a influência do apocalipse na vida das pessoas, quais são as reverberações que tal acontecimento gera, por isso, em cada episódio mostra o Clancy acompanhando o final de um mundo. Qu…

CRÍTICA: O RETORNO TRIUNFAL DA LADY GAGA AO POP COM O CHROMATICA

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Autor: Luca Alves
CRÍTICA: O RETORNO TRIUNFAL DA LADY GAGA AO POP COM O CHROMATICA
Nota: 4,5/5


A reinvenção constante e a necessidade de fugir da sua própria zona de conforto sem perder a sua essência são qualidades extremamente seletas dentro do meio artístico. São qualidades atingidas por poucos nomes na indústria, e cada vez mais afunilado fica o ranking de quem consegue realizar transições com tamanha naturalidade e qualidade como a Lady Gaga. Depois de se aventurar em gêneros mais remotos para a atualidade como o country, em dominância na bem-sucedida trilha sonora de Nasce Uma Estrela e no seu trabalho mais intimista e pessoal, o Joanne, e como o jazz, em dominância na esplendorosa parceria com o lendário Tony Bennett para o Cheek to Cheek, um álbum de covers, Lady Gaga retorna à suas raízes na música popular com o seu primeiro álbum inteiramente pop desde o ARTPOP, lançado em 2013, e essa é a sua redenção ao tão injustiçado álbum do milênio.

Chromatica é um planeta criado pela Lady Gaga para o seu sexto álbum solo. Em Chromatica nenhuma coisa é maior que outra, e é onde a gentileza reina. O álbum trabalha com referências visuais e sonoras dos anos oitenta, noventa e início dos anos 2000. Tudo é muito retrô e tem a cultura underground como mentor de um material mainstream. O Chromatica é o encontro do Disco e do House em um ambiente futurista, de estética distópica e de grandes elementos tecnológicos. Ele faz uma leve alusão ao The Fame, seu álbum de estréia, em suas influências às pistas de dança, mas com uma roupagem única e fora do comum que só a Lady Gaga poderia entregar. 


Lady Gaga abriu a era Chromatica em fevereiro com Stupid Love, depois de quase um mês e meio da música ter vazado inteira e em alta qualidade na internet. Apesar do empecilho, a música teve um desempenho caloroso nos charts atingindo a quinta posição no maior ranking comercial de música: a Billboard Hot 100. A música foi amplamente elogiada pela crítica especializada que aclamava o retorno da Lady Gaga às bases da música pop, pontuando bem as suas influências oitentistas e seu caráter atemporal que dava a música uma atmosfera atual.

O Chromatica conta com três nomes de peso nos créditos de suas colaborações: Ariana Grande, no segundo single, Rain On Me, BLACKPINK, na faixa Sour Candy, e Elton John, na faixa Sine From Above. São artistas de públicos e gerações distintas, mas com o propósito em comum de manter viva a música pop. São faixas fiéis ao álbum, de artistas que, embora sejam diferentes, não fugiram do propósito e da ambientalização do Chromatica, e esse, inclusive, é um dos pontos altos do álbum. Ele se mantém fiel às produções e às composições e cumpre com a descrição entregue pela Gaga durante o período de divulgação dele: "É um álbum para dançar as suas dores para bem longe". Ele herda parte do empoderamento e da autossuficiência em letras poderosas do Born This Way e trabalha bem com as batidas perfeitas que servem como escape da realidade, uma verdadeira viagem a Chromatica. 


Alice é a minha faixa favorita, e os vocais robóticos são apocalíptico. Eu dançava em uma enorme pista de dança imaginária no meu quanto quando caí em outra dimensão sem aviso prévio. Me senti Alice caindo em Wonderland. É uma produção levemente dramática que lembra os vocais robóticos de I Like It Rough do The Fame. 911 também é um faixa promissora. Acompanhada do Chromatica II, segundo interlúdio do álbum, a música é dona de uma transição incrível e de um dos melhores refrões do Chromatica. É viciante e de fácil associação, e seus vocais soam levemente robóticos, mas nada tão extremo quanto Alice. Também tem Babylon, a tão problemática Babylon, que fez todos esperar por um instrumental que flertava com a PC Music, mesmo instrumental utilizado no comercial da HAUS, mas que acabou se tornando o final perfeito para um álbum, trazendo esperança de dias melhores com o lema encorajador "lute pela sua vida" ecoado um coral no fundo de um enorme salão de uma discoteca. 

O Chromatica marca uma nova fase para a Lady Gaga, um novo auge e um novo capítulo na música pop escrito pelas mãos de um dos maiores atos do gênero. Como referência à Free Woman, quinta faixa do álbum, essa é a pista de dança pela qual ela lutou por anos, e que pertence a ela por direito, e que teve parte dela roubada no sua última tentativa de mostrar a sua arte na música pop. O retorno da Lady Gaga à música pop veio depois de provar aos leigos que a música pop nunca será "lowbrow" (de baixa intelectualidade), depois de ter conquistado feitos incríveis fora do mainstream, depois de ter mostrado grande parte do seu talento, o retorno da Lady Gaga à música pop é triunfal, e definitivamente o Chromatica será lembrado pela sua excelência dentro da música pop.

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