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GRAMMY: POR QUE A LADY GAGA MERECE LEVAR O PRÊMIO DE ÁLBUM DO ANO?

Autor: Luca Alves GRAMMY: POR QUE A LADY GAGA MERECE LEVAR O PRÊMIO DE ÁLBUM DO ANO?
Há um ano debutava no topo da parada de discos da Billboard o A Star is Born com 231 mil cópias comercializadas no território americano. Pouco mais de um ano desde o seu lançamento, a trilha sonora do Nasce Uma Estrela soma mais de 6 milhões de cópias comercializadas ao redor do mundo e mantém uma estabilidade que talvez supere fácil a marca de 8 milhões de cópias vendidas até o dia da cerimônia do Grammy, que geralmente acontece entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. 
Essa não é a primeira vez que a Lady Gaga recebe grande atenção para a principal categoria do Grammy. Quase todos os álbuns da Gaga foram indicados à categoria Álbum do Ano, e todos até o momento não foram bem-sucedidos para os votos da Academia. Em 2008, a Lady Gaga fez uma estréia estrondosa causando impactos notórios à cultura pop com o The Fame, mas só isso não foi o suficiente para a bancada honrar o álbum com o título de …

REVIEW: Super Drags ou American Pie Gay?

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Super Drags, 2018, Netflix

Autor: Pedro Bomfim


REVIEW: Super Drags ou American Pie Gay



“Super Drags” vem causando burburinhos desde que a Netflix anunciou a animação brasileira no começo desse ano. Voltada para o público LGBTQ+, a série que traz três Drag Queens como super-heroínas teve que ter um cuidado extra em relação a sua classificação indicativa. Recebendo várias ameaças de cancelamento em comentários de posts sobre a série no Facebook, a Netflix teve que deixar claro que o programa se tratava de uma animação adulta. Já no primeiro episódio nos deparamos com a mensagem da personagem Vedete dizendo “esse desenho não é para criança”, mesmo isso estando claro na classificação indicativa de 16 anos e nas palavras no cartaz da série: “É só para adultos, querida”. Detentora de animações como “Desencanto”, “Bojack Horseman”, “Paradise Police” e muitos outros, é decepcionante ver que a produtora se viu na obrigação de dar esse “tratamento especial” a Super Drags, não por ser um desenho adulto, mas sim por ser um desenho sobre Drag Queens. Isso reflete toda a ignorância (e preconceito) da sociedade quando se trata de assuntos LGBTQ+.

Mesmo sendo desnecessário todo esse cuidado, Super Drags é, de fato, muito pesado para crianças por conta do seu alto teor sexual (a exemplo de “Family Guy”, “Big Mouth” e outras já citadas). Não seria um choque se a série se chamasse “Diferentes Formas de Colocar Pênis em Qualquer Lugar”, já que é isso que parece acontecer. Tem pinto na nuvem, no capturador da vilã, no robô chamado “Dildo”, quase em tudo tem pênis, e não vamos nos esquecer das bundas que também aparecem a todo o momento. Essa “forçação” de barra transforma a série em um “American Pie Gay”, trazendo um humor pobre e estereotipado, deixando a animação dependente desse tipo de humor obsoleto. Essa sexualização exagerada traz o maior problema da série, a normalização de um assédio sexual.  Ao salvar o vilão que jogou um ônibus cheio de pessoas no rio, uma das protagonistas, Lemon, se aproveita da situação para pegar no pênis do rapaz que estava desacordado por conta do acidente. Ainda que isso seja caracterizado como estupro de vulnerável, os produtores não parecem se importar muito com a situação e não corrigem o problema no decorrer da série, nem ao menos trazem um debate sobre o assunto.

Por outro lado, a série aborda temas muito importantes como a “ditadura da beleza” e a “cura gay”. O encontro da heroína Lemon no episódio dois aborda o preconceito que existe dentro da comunidade LGBTQ+. É fácil se enxergar na situação em que a drag está. Um encontro com um babaca homofóbico já faz parte do cotidiano dos gays que usam aplicativos como Tinder e Grindr. Homens gays que acham que a homofobia só existe por causa dos afeminados, que tratam pessoas gordas como aberrações e que desprezam lésbicas e transexuais. Apesar de a Lemon aceitar o seu corpo no final, o problema é pouco explorado e é algo que deve voltar - caso tenha uma nova temporada - e abrir uma discussão mais profunda. Já no episódio três temos como assunto a cura gay. Nesse sentido, o campo de concentração para “correção” do comportamento de gays é algo que consegue trazer um maior aprofundamento pra série, mas ainda deixa a desejar.

A dublagem é um dos pontos positivos da série, surpreendentemente Pabllo Vittar mandou muito bem como Goldiva. Silvetty Montilla também arrasa como Vedete Champagne e as três protagonistas têm uma dublagem “okay” com vozes já conhecidas e respeitadas nesse meio. Entretanto, o roteiro é algo que incomoda, assim como em Desencanto, o uso exacerbado de memes da internet e gírias gays faz com que a série perca um pouco de originalidade. Claro que se era esperado muitas referências da internet, mas muito do humor da série se concentra nisso e torna a animação com pouco conteúdo novo, muitas vezes os memes só são jogados de forma aleatória, se transformando em algo chato e sem graça. Seria muito mais válido inventar um novo bordão, do que usar termos como “close” e “to preparada pra atacar”, que já estão saturados.

Outro aspecto legal da série foi ter usado como referência desenhos como “Meninas Super-Poderosas” e “Três Espias Demais”. Essa nostalgia traz conforto e familiaridade ao assistir a série. Faz o expectador lembrar-se da infância e das manhãs prazerosas em que acordava cedo para ver Sam, Clover e Alex sendo sugadas pela lata de lixo convocadas para mais uma missão e, também, da Florzinha, Lindinha e Docinho salvando mais uma vez a cidade de Townsville. (Bons tempos!) O padrão na personalidade das heroínas é algo clichê, mas que funciona nesse tipo de animação. Lemon é a chefe, ou seja, a Florzinha da equipe. Safira, a meiga, corresponde a Lindinha. Scarlet a grossa, Docinho. Por seu sucesso ser uma incógnita, foi esperto apostar em uma fórmula que já deu certo.


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Super Drags, 2018, Netflix

Com apenas 5 episódios entregues em sua primeira temporada, Super Drags é algo que precisa arrumar muita coisa para se manter no ar. O roteiro tem que ser mais original (e menos de um amontoado de cópias saturadas), possibilitando que a própria serie crie novos memes a partir de sua originalidade, pois, diga-se de passagem, virar meme é o novo auge de popularidade atualmente. Se você quer que algo tenha sucesso, faça isso virar meme. A história, embora traga um bom gancho no episódio final, precisa de mais conteúdo e menos pinto e bunda. Por ser algo novo, é perdoável a primeira temporada ter episódios mais leves e menos complexos. No entanto, caso seja renovada, Super Drags terá que abandonar a zona de conforto e partir para o ataque, pois querendo ou não, a sua existência (a partir de agora) é mais que somente entretenimento, mas também um ato político no que se refere a direitos ameaçados pelo novo governo brasileiro. Para muitos Super Drags perderá o status de série e passará a ser mais uma forma de resistência.


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