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REVIEW: MULHER MARAVILHA 1984

Pôster do Filme Autor: Daniel Moreira   REVIEW: MULHER MARAVILHA 1984  Estamos vivendo uma revolução na forma de ver filmes, os serviços de streaming estão cada vez mais conquistando o seu espaço no dia-a-dia dos espectadores e a grande aposta do HBOMAX foi justamente a estreia de um dos maiores filmes do ano no serviço de streaming e nos cinemas ao mesmo tempo. Se isso vai ser o novo normal ou se vai trazer lucros só o tempo dirá, o fato é que Mulher Maravilha 1984 está entre nós. Atenção, essa review pode conter leves spoilers. Um artefato muito antigo criado por um Deus concede aquele que o possui o seu maior desejo, infelizmente vai parar em mãos erradas e a Mulher Maravilha precisa enfrentar o vilão e impedir o fim do mundo. Patty Jankins retorna na direção da sequência, dessa vez muito mais a vontade. Devido ao grande sucesso do primeiro filme, o estúdio deu carta branca pra ela criar a sua versão e isso é refletido nas poucas cenas de ação, nos diálogos profundos e na mensa

MÚSICA: COMPOSIÇÕES LÍRICAS E DRAMÁTICAS (R. MURRAY SCHAFER)

composições líricas e dramáticas
Damn, 2017, Kendrick Lamar


Autor: Luca Alves

Música: Composições Líricas e Dramáticas (R. Murray Schafer)


A limitação artística nem sempre está ligada à falta de qualidade - o propósito para tal limitação é o que pode determinar o valor artístico de cada obra. É um processo um tanto intuitivo para quem analisa algum trabalho a fim de descobrir se a limitação é ou não proposital, pois nem sempre fica explícito a real intenção artística da restrição a certos elementos na composição do trabalho analisado e às vezes pode passar como produção de baixa qualidade por análises superficiais. 

No livro O Ouvido Pensante de R. Murray Schafer de 1983, o autor, que é compositor e artista plástico, fala sobre duas oportunidades que teve de ser professor de música nos anos de 1964 e 1965 no e para o North York Summer Music School. Suas experiências estão descritas em forma de conversação com seus alunos no livro O Ouvido Pensante de 1983. No livro em questão ele fala sobre composições líricas e dramáticas usando paletas de cores de Pablo Picasso (leia sobre as fases azul e rosa de Pablo Picasso) - além de outros exemplos com as composições de Claude Debussy e Modeste Moussorgsky. Nessa postagem usarei duas produções artísticas atuais para falar de contrastes para chegar à definição de composições líricas e dramáticas segundo R. Murray Schafer. Suas definições de composições líricas e dramáticas começam na página 32 do primeiro capítulo pela edição de 1991 publicada pela Editora Unesp.

As produções escolhidas são da Lady Gaga e do Kendrick Lamar. São canções extraídas dos seus mais recentes trabalhos: em outubro de 2016, Lady Gaga lançou seu quinto álbum de estúdio, o Joanne. Dentre as 15 faixas contidas no álbum está o hit Million Reasons, cujas composições são bastante simples para cumprir com a proposta do projeto que carrega toda uma atmosfera intimista. Com o Joanne, Gaga abre mão das extravagâncias para dar espaço ao necessário - em todos os sentidos. Meses após o lançamento de Joanne, em 17 de abril de 2017, Kendrick Lamar lançou seu quarto álbum de estúdio, o Damn. Dentre as 14 faixas contidas no álbum está a canção XXX. parceria com U2. Assim como o Damn, XXX., não é uma produção previsível e oscila de atmosferas o tempo todo. XXX. e Million Reasons são canções completamente diferentes. Uma é o oposto da outra.

Joanne, 2016, Lady Gaga

A extrema oposição em elementos sonoros (agudo e grave, curto e longo, rápido e lento etc) de uma composição reflete diretamente na impressão do ouvinte, como, pelo exemplo dado pelo livro, sons suaves e graves trazem sensação de melancolia. A limitação a um dos extremos pode estar ligada à capacidade de criar do compositor, assim sendo determinante na categorização em composição limitada por intenção de criar e manter uma atmosfera como no caso de Million Reasons ou em composição limitada por real limitação artística do compositor. Para Schafer (1991), as composições que se limitam propositadamente a um dos extremos são chamadas de líricas, enquanto que as composições que abrangem outros extremos são chamadas de dramáticas. As composições dramática são imprevisíveis e por natureza tendem a surpreender o ouvinte por suas variadas sensações ao longo de sua reprodução.

Em XXX. há pelo menos duas mudanças drásticas: aos 0:23 e aos 2:27 na versão do álbum - fora as oscilações em alguns momentos da música: 0:58, 1:19, 1:42, 2:04 e 2:16. Pela definição de Schafer (1991), XXX. do Kendrick Lamar é uma composição dramática, visto que abrange vários elementos sonoros para criar atmosferas diferentes ao longo da canção. Em Million Reasons há o mesmo violão e piano do início ao fim da música havendo pequenas mudanças de intensidade e acompanhamento de novos instrumentos - mas nada que distancie da composição principal.

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