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REVIEW: LOVE, VICTOR - 1ª Temporada

Autor: Daniel Moreira
REVIEW LOVE, VICTOR - 1ª Temporada
Love, Victor é uma série original da Hulu (antigamente feita para o Disney+) que conta a história de Victor, um garoto que se mudou para Atlanta e é o mais novo aluno da Creekwood High School, onde vive uma jornada de adaptação e autodescoberta. A série que é uma sequência direta do filme de 2018 Com Amor, Simon, conta com participações especiais dos atores do filme além de ser referenciada em vários momentos, você não precisa assistir ao filme para entender a série, mas com toda certeza faz você ter uma experiência mais intimista.
LEIA TAMBÉM: REVIEW COM AMOR, SIMON
Todo o elenco da série foi muito bem escolhido e são peças chaves para contar uma história importante. Michael Cimino é um protagonista muito carismático que interpreta a jornada de autodescoberta com muita sensibilidade. Só quem é gay e tem uma família difícil de lidar, geralmente religiosa, sabe o quão longo e complexo é o processo de não querer gostar de homens a…

Inimigos por Luís Fernando Veríssimo

van gogh tumblr

Inimigos por Luís Fernando Veríssimo


O apelido de Maria Teresa, para o Noberto, era "Quequinha". Depois do casamento, sempre que queria contar para os outros uma de sua mulher, o Noberto pegava sua mão carinhosamente, e começava:
- Pois a Quequinha...
E a Quequinha, dengosa, protestava:
- Ora, Noberto!
Com o passar do tempo, o Noberto deixou de chamar a Maria Teresa de Quequinha. Se ela estivesse ao seu lado e ele quisesse se referir a ela, dizia:
- A mulher aqui...
Ou, às vezes:
- Esta mulherzinha...
Mas nunca mais Quequinha.
(O tempo, o tempo. O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca em silêncio. O tempo usa armas químicas.)
Com o tempo, Noberto passou a tratar a mulher por "Ela"
- Ela odeia o Charles Bronson.
- Ah, não gosto mesmo.
Deve-se dizer que o Noberto, a essa altura, embora a chamasse de Ela, ainda usava um vago gesto de mão para indicá-la. Pior foi quando passou a dizer "Essa aí" e apontar com o queixo.
- Essa aí... 
E apontava com o queixo, até curvando a boca com um certo desdém
(O tempo, o tempo. O tempo captura o amor e não o mata na hora. Vai tirando uma asa, depois outra...) Hoje, quando quer contar alguma coisa da mulher, o Noberto, nem olha na sua direção. Faz um meneio de lado com a cabeça e diz:
- Aquilo...

(VERÍSSIMO, L. F. Novas comédias da vida privada. Porto Alegre: L & M, 1996)

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