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Destaques

Future Nostalgia: O TOPO DA ASCENSÃO DA DUA LIPA?

Autor: Luca Alves Future Nostalgia: O TOPO DA ASCENSÃO DA DUA LIPA? Nota: 4/5


É de tamanha excelência a qualidade do Future Nostalgia que foi uma das missões mais difíceis da minha vida expressar em fiéis palavras a extremidade artística positiva que este álbum representa. Estive tenso por tentar não deixar passar nada porque é de uma complexidade e inteligência lírica-compositora tão grande que eu estaria faltando com a honestidade se eu não deixasse muito claro que este álbum é simplesmente O ÁLBUM. E é lindo ver o mínimo, porém impactante amadurecimento da Dua Lipa depois do álbum homônimo porque a ela foi entregue o difícil papel de salvadora da música pop, quando em meados de 2017 ela tomou total protagonismo do gênero com New Rules sendo creditada como um dos pilares que representaria a música pop pelos próximos anos, e facilmente assumiu esse posto, não aproveitando muita coisa do tropical house em dominância no seu primeiro álbum, mas mantendo as composições maduras por um vié…

Auto da Barca do Inferno x Auto da Compadecida

comparação auto da barca do inferno e auto da compadecida
Imagem: divulgação



Comparação entre Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida

Embora Auto da Barca do Inferno (1531) e Auto da Compadecida (1955), respectivamente, de Gil Vicente e Ariano Suassuna, sejam peças teatrais escritas e representadas em épocas diferentes, as duas carregam muitas características em comum, algo que pode ser explicado pela inspiração que o segundo autor obteve do primeiro.

É possível encontrar as semelhanças entre as obras de Gil Vicente e Ariano Suassuna pelas características implícitas e explicitas que os textos carregam. Por exemplo, ambas as obras Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida contêm um julgamento, no qual a força do bem e a força do mal se reúnem para decidir o rumo de pessoas (já mortas). Pessoas que, por sua vez, carregam estereótipos, cuja intenção em utilizá-los é criticar um determinado grupo e não apenas uma pessoa específica. Isso se chama “personagens alegóricos” e "personagens-tipos". A primeira, por ser nítida e por não demandar muito esforço do leitor para encontrá-la, é, portanto, uma característica explicita enquanto que a segunda, por exigir um pouco mais da atenção do leitor, seria uma característica implícita.

Além dos exemplos supracitados, existem outras características nas quais os textos se assemelham, tais como: personagens planos (personagens com poucas características psicológicas), crítica social utilizando os estereótipos das personagens, crítica à hipocrisia da igreja católica (padres e bispos gananciosos), predominante durante a Idade Média e ainda muito comum em cidades pequenas, e a representação em só um ato – mesmo que haja a possibilidade de Auto da Compadecida ser representado em três atos, o autor, no decorrer da peça, deixa livre para que, assim como Auto da Barca do Inferno, ele possa ser uma peça de um só ato.

Outro fator muito interessante é a linguagem coloquial nas duas peças. Gil Vicente, cujo teatro era tido como profano por trocar as igrejas pelas praças, tinha como lema a frase “rindo, corrigem-se os costumes”, pois era através dos trocadilhos e palavrões que provocavam desconforto que ele retratava a vida real. E assim como Vicente, Suassuna não se limita quanto ao uso de palavras tidas como pesadas, mas, por se inspirar nas peças medievais e principalmente no teatro vicentino, já poderíamos expectar esse detalhe (e que faz toda diferença) na sua peça, cujo tema também é uma sátira religiosa. 


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