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Destaques

REVIEW THE MIDNIGHT GOSPEL - 1ª Temporada

Autor: Daniel Moreira
REVIEW THE MIDNIGHT GOSPEL - 1ª Temporada
Antes tarde do que nunca! Mais de 4 mês após o lançamento de The Midnight Gospel na Netflix eu finalmente fui assistir a essa viagem filosófica.  Talvez a minha nova smart TV gigantesta tenha contribuído para eu começar a apreciar os visuais psicodélicos e surreais do podcast, digo, do seriado.
Acompanhamos a história de Clancy, um podcaster que viaja através de um simulador de universos procurando boas histórias, cada episódio o nosso protagonista visita um mundo diferente e grava entrevistas para transmitir para quem quiser ouvir. Criada por Pendleton Ward de Hora de Aventura e Duncan Trussell, comediante e host do podcast  Duncan Trussell Family Hour, que serviu de inspiração e fonte direta para todos episódios.
O tema principal da série é a influência do apocalipse na vida das pessoas, quais são as reverberações que tal acontecimento gera, por isso, em cada episódio mostra o Clancy acompanhando o final de um mundo. Qu…

Auto da Barca do Inferno x Auto da Compadecida

comparação auto da barca do inferno e auto da compadecida
Imagem: divulgação



Comparação entre Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida

Embora Auto da Barca do Inferno (1531) e Auto da Compadecida (1955), respectivamente, de Gil Vicente e Ariano Suassuna, sejam peças teatrais escritas e representadas em épocas diferentes, as duas carregam muitas características em comum, algo que pode ser explicado pela inspiração que o segundo autor obteve do primeiro.

É possível encontrar as semelhanças entre as obras de Gil Vicente e Ariano Suassuna pelas características implícitas e explicitas que os textos carregam. Por exemplo, ambas as obras Auto da Barca do Inferno e Auto da Compadecida contêm um julgamento, no qual a força do bem e a força do mal se reúnem para decidir o rumo de pessoas (já mortas). Pessoas que, por sua vez, carregam estereótipos, cuja intenção em utilizá-los é criticar um determinado grupo e não apenas uma pessoa específica. Isso se chama “personagens alegóricos” e "personagens-tipos". A primeira, por ser nítida e por não demandar muito esforço do leitor para encontrá-la, é, portanto, uma característica explicita enquanto que a segunda, por exigir um pouco mais da atenção do leitor, seria uma característica implícita.

Além dos exemplos supracitados, existem outras características nas quais os textos se assemelham, tais como: personagens planos (personagens com poucas características psicológicas), crítica social utilizando os estereótipos das personagens, crítica à hipocrisia da igreja católica (padres e bispos gananciosos), predominante durante a Idade Média e ainda muito comum em cidades pequenas, e a representação em só um ato – mesmo que haja a possibilidade de Auto da Compadecida ser representado em três atos, o autor, no decorrer da peça, deixa livre para que, assim como Auto da Barca do Inferno, ele possa ser uma peça de um só ato.

Outro fator muito interessante é a linguagem coloquial nas duas peças. Gil Vicente, cujo teatro era tido como profano por trocar as igrejas pelas praças, tinha como lema a frase “rindo, corrigem-se os costumes”, pois era através dos trocadilhos e palavrões que provocavam desconforto que ele retratava a vida real. E assim como Vicente, Suassuna não se limita quanto ao uso de palavras tidas como pesadas, mas, por se inspirar nas peças medievais e principalmente no teatro vicentino, já poderíamos expectar esse detalhe (e que faz toda diferença) na sua peça, cujo tema também é uma sátira religiosa. 


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